
Saber desistir. Abandonar ou não abandonar? Esta é muitas vezes a questão para um jogador. A arte de abandonar não é ensinada a ninguém. E está longe de ser rara a situação angustiosa em que se deve decidir se há algum sentido em prosseguir jogando.Serei capaz de abandonar nobremente? Ou sou daqueles que prosseguem teimosamente esperando que aconteça alguma coisa? como, digamos, o próprio fim do mundo? Ou seja lá o que for, como a minha morte súbita, hipótese que tornaria supérflua a minha desistência? (C. Lispector)
Tá aí... Quando menos se espera, folheando um livro a gente se depara com um desses trechos geniais que nos faz para para refletir.
A palavra 'desistir' já traz em si uma conotação negativa. Está associada a incompleição, a algo inacabado. Somos empurrados desde pequenos a investir, a persistir e a insistir nos nossos objetivos. A palavra de ordem na vida é seguir em frente.
Mas e os momentos em que desistir é uma decisão sábia? Isso não nos é ensinado. Lembro-me da trágica história narrada no livro No Ar Rarefeito, na qual um grupo de onze pessoas empreendeu uma escalada ao topo do Monte Everest. Não se tratava de um grupo de alpinistas profissionais e sim, executivos e empresários muito bem sucedidos. Quando a expedição chegou ao último acampamento antes de atingir o topo, as condições climáticas que já eram adversas, pioraram ainda mais e nesse ponto estabeleceu-se uma divergência no grupo. Alguns daqueles empresários e executivos tão experientes não aceitaram o fato de desistir tão próximo de atingirem o seu objetivo. Cinco integrantes do grupo decidiram enfrentar as piores condições e ir até o fim. Resultado: encontraram a morte. Os que optaram pela duríssima decisão de desistir a menos de 300 metros do topo do mundo, sobreviveram.
Em certos momentos da vida, recuar diante de um obstáculo é vencer um desafio.